Alberta vai às urnas para decidir se realiza votação sobre separação do Canadá

No fim de semana, apoiadores do movimento separatista se reuniram em Edmonton para incentivar os eleitores a apoiar a realização de um futuro referendo. Crédito: AFP

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Um dia após os eleitores de Alberta, no oeste do Canadá, rejeitarem a proposta de realizar um referendo sobre a separação da província, os movimentos separatistas, o governo federal e a gestão provincial avaliam os impactos da votação.

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Com mais de 1,8 milhão de votos contabilizados e resultados divulgados em 84% das áreas e locais de votação até às 11h (no horário local) desta terça-feira, 20, os números não oficiais divulgados pela Eleições Alberta, órgão eleitoral da província, mostram que mais de 1,4 milhão de albertanos - cerca de 75% dos votos válidos - foram contrários à possibilidade do governo provincial iniciar os trâmites legais necessários para uma futura votação sobre a separação do Canadá. Os resultados oficiais só serão divulgados em 29 de outubro.

Os separatistas viram um lado positivo na votação. O advogado Keith Wilson, um dos líderes do grupo independentista Let Alberta Decide, afirmou que “é justo dizer que pelo menos um quarto dos habitantes de Alberta sente que a província precisa ser tratada melhor”.

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Apoiador do separatismo de Alberta carrega uma bandeira no centro de Edmonton. Foto: Megan Albu/AFP

Alberta é um reduto conservador, mas o ressentimento profundo em relação ao governo federal não se traduziu em apoio generalizado à independência. Os líderes separatistas, porém, consideram que transformaram uma causa marginal em um movimento que não desaparecerá.

Segundo o ex-premiê de Alberta Jason Kenney, os partidos separatistas costumavam conquistar apenas 1% ou 2% dos votos. Para ele, a insatisfação com as restrições impostas durante a pandemia de covid-19 ajudou a mobilizar ativistas que posteriormente aderiram ao movimento separatista.

Em um encontro de separatistas em um restaurante de Edmonton na noite de segunda-feira, a multidão ficou em silêncio à medida que os resultados eram divulgados.
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“Não vamos a lugar nenhum”, afirmou o advogado Jeff Rath, do Projeto Prosperidade de Alberta (APP, na sigla em inglês). “Dominamos o debate no último ano. Temos informado os habitantes de Alberta sobre os benefícios da independência e vamos continuar avançando.”
Antes da divulgação dos resultados, Rath havia dito que ficaria muito satisfeito se a proposta obtivesse 30% de apoio. Ele quer que a primeira-ministra de Alberta, Danielle Smith, seja destituída da liderança do Partido Conservador Unido e afirmou que a legenda pode se fragmentar, potencialmente dando origem a um novo partido favorável à independência.
Após a votação, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, afirmou que os cerca de 25% dos eleitores que apoiaram a proposta não devem necessariamente ser vistos como defensores da independência.
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Segundo ele, como a votação definia apenas se deveria ser realizado outro referendo sobre a separação, alguns albertanos aproveitaram a oportunidade para expressar insatisfação com o governo federal.
“O resultado é absolutamente claro. Há uma ampla maioria a favor de permanecer no Canadá. E agora é o momento de trabalharmos juntos por todos os habitantes de Alberta e por todos os canadenses”, disse Carney a jornalistas antes de uma reunião de gabinete em Ottawa.
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O eleitor Shawn Campbell, de Edmonton, ilustrou o ponto levantado por Carney ao dizer que votou a favor de iniciar o processo de separação, mas não queria que Alberta deixasse o Canadá. “Isso envia uma mensagem a Ottawa de que os habitantes de Alberta estão insatisfeitos”, afirmou.
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Já o eleitor Dustin Degenhardt, de Wainwright, disse que os albertanos são tratados injustamente há muito tempo pelo governo federal.
“Alberta tem sido essencialmente tratada como, sabe, uma colônia”, afirmou Degenhardt na segunda-feira. “Eles querem tirar cada vez mais de nós, sem nos devolver nada.”
Os resultados da eleição representam um impulso para a iniciativa de Carney de promover a unidade nacional, em meio à guerra comercial com os Estados Unidos e às ameaças de anexação do presidente americano, Donald Trump.
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Carney afirmou que conversou sobre os resultados com Danielle na manhã desta terça-feira. Os dois também abordaram a ampliação da cooperação entre os governos federal e provincial, inclusive em questões migratórias.
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O premiê afirmou que a prioridade inicial era apoiar as vítimas e as famílias afetadas por um incêndio que atingiu uma base militar das Forças Armadas Canadenses em Wainwright, no sábado, 17. Pelo menos quatro militares morreram e 39 ficaram feridos, sendo 19 em estado grave.
Danielle, que é contrária à independência e convocou o referendo em meio à pressão de separatistas dentro do Partido Conservador Unido, comemorou a votação, afirmando que o resultado demonstrava “amplo apoio à permanência no Canadá”. “Os habitantes de Alberta votaram por uma Alberta mais forte em um Canadá unido”, escreveu a primeira-ministra em uma publicação no X.
“Agradeço a todos os habitantes de Alberta que dedicaram seu tempo para votar nessas questões de referendo de importância fundamental”, disse. Ela acrescentou que fará um pronunciamento às 18h45 (no horário local) desta terça-feira, para discutir os resultados e os próximos passos./Com informações da AP
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