Bois de Boulogne (Porte de Madrid) (em português: Bois de Boulogne (Portão de Madrid)) é um curta-metragem francês de filme mudo e documentário de 1896, dirigido e produzido por Georges Méliès. Distribuído pela Star Film, o filme é registrado com o número 21 em seu catálogo. Com aproximadamente 20 metros de película, equivalentes a cerca de um minuto de projeção, o filme presume-se registrar a Porte de Madrid — entrada noroeste do Bois de Boulogne, na divisa entre Paris e Neuilly-sur-Seine —, sendo o segundo de dois curtas que Méliès dedicou ao mesmo parque em 1896, imediatamente após Bois de Boulogne (Clube de Turismo) (n.o 20). Nenhuma descrição do conteúdo foi localizada nos catálogos da época; o tema é inferido exclusivamente pelo título. O filme é considerado perdido.

A Porte de Madrid e o Château de Madrid A Porte de Madrid é um dos portões de acesso ao Bois de Boulogne, situado no limite noroeste do parque, entre o 16.o arrondissement de Paris e a comuna de Neuilly-sur-Seine. Localizado a 400 metros a leste do Portão de Bagatelle e a 250 metros ao sul do Portão de Saint-James, o portão dá acesso ao Parque de Bagatelle, ao lago do Cercle du Bois de Boulogne e à Mare Saint-James. O nome "Madrid" deriva do Château de Madrid, palácio renascentista mandado construir pelo rei Francisco I da França em 1528, após seu retorno da cativeiro em Madrid — onde estivera preso após a derrota na Batalha de Pavia em 1525. Inicialmente denominado Château de Boulogne, o edifício ficou conhecido como Château de Madrid em alusão ao Alcázar Real de Madrid, com o qual compartilhava a localização na orla de uma floresta próxima a uma grande cidade. Ricamente decorado com majólica e alto-relevo — o que lhe valeu o apelido de "castelo de faiança" —, o palácio caiu em desuso nos séculos XVII e XVIII e foi quase inteiramente demolido durante a Revolução Francesa, em 1793. Em 1896, quando Méliès o filmou, nada restava do edifício original; o topônimo "Madrid" sobrevivia apenas no nome do portão e das vias adjacentes.

Produção Georges Méliès realizou Bois de Boulogne (Porte de Madrid) em 1896, provavelmente na mesma sessão de filmagens que originou Bois de Boulogne (Clube de Turismo) (n.o 20), seu par imediato no catálogo da Star Film. A prática de filmar o mesmo local sob ângulos ou aspectos distintos e registrá-los como títulos separados era recorrente em Méliès nesse período: a Place de l'Opéra foi filmada pelo menos duas vezes (n.o 10 e n.o 17), e o próprio Bois de Boulogne recebeu dois títulos consecutivos. Cada bobina de 20 metros constituía uma unidade comercial independente no catálogo da Star Film, vendida separadamente a exibidores, o que incentivava a produção de múltiplas vistas de um mesmo local. A Porte de Madrid, como entrada do Bois de Boulogne a partir de Neuilly-sur-Seine, era um ponto de confluência natural de ciclistas, carruagens e pedestres que acessavam o parque pelo lado norte — público semelhante ao registrado no filme anterior da série, dominado pelos membros do Touring Club de France. A ausência de qualquer descrição do filme nos catálogos da Star Film conhecidos até hoje impede afirmar com precisão o que foi captado; o conteúdo permanece inferível apenas pelo título.

Contexto no catálogo Star Film Bois de Boulogne (Porte de Madrid) ocupa o número 21 no catálogo da Star Film, empresa fundada por Méliès em 2 de dezembro de 1896. Junto com seu par Bois de Boulogne (Clube de Turismo) (n.o 20), forma um dos raros pares documentais do catálogo inicial de Méliès dedicados a um mesmo local em sequência imediata. O filme seguinte no catálogo, Sauvetage en rivière (n.o 22 e 23), marca uma mudança temática: abandona os registros de parques e bulevares parisienses para documentar uma operação de salvamento em rio, inaugurando uma pequena série de filmes de ação documental.

Preservação O filme é classificado como filme perdido. O suporte em nitrato de celulose era altamente inflamável e quimicamente instável; parte significativa dos negativos foi destruída pelo próprio Méliès durante a crise financeira que se seguiu à Primeira Guerra Mundial — as películas eram queimadas deliberadamente para fundir a emulsão e recuperar o nitrato de prata nela contido, que tinha valor comercial —, e outra parte foi requisitada pelo exército francês durante o conflito. Estima-se que, dos aproximadamente 520 filmes realizados por Méliès entre 1896 e 1912, apenas cerca de 200 tenham sobrevivido.

Ver também Georges Méliès Star Film Company Bois de Boulogne Filme perdido Filme mudo Filme de atualidade

Referências

Ligações externas «Bois de Boulogne (Porte de Madrid) no IMDb» (em inglês)