Ida Celina Weber Silveira (Rio Grande, 15 de fevereiro de 1945), conhecida artisticamente como Ida Celina, é uma atriz e professora brasileira, ligada sobretudo ao teatro do Rio Grande do Sul. Com carreira iniciada na década de 1960, tornou-se uma das intérpretes de referência da cena teatral gaúcha, tendo atuado em dezenas de espetáculos, trabalhado como professora no Departamento de Arte Dramática da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, recebendo vários prêmios e homenagens pela sua trajetória artística.

Biografia e formação Natural de Rio Grande, no litoral sul do Rio Grande do Sul, Ida Celina mudou-se para Porto Alegre em 1965, inicialmente para trabalhar como professora. Interessou-se inicialmente pelas artes plásticas, mas acabou por se aproximar do teatro durante a sua formação universitária. Formou-se em Artes pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul em 1968. A sua ligação à universidade manteve-se ao longo da carreira: a UFRGS TV dedicou-lhe, em 2014, um episódio do programa Em Sintonia Com, apresentado como uma entrevista sobre a sua trajetória no teatro e na UFRGS. Estudos sobre a história do Departamento de Arte Dramática da UFRGS também a incluem entre os nomes que integraram o corpo docente do departamento após a sua consolidação institucional.

Carreira teatral A carreira de Ida Celina desenvolveu-se principalmente no teatro, como atriz e professora, com uma trajetória situada sobretudo no contexto do teatro gaúcho, envolvendo vários núcleos ou grupos teatrais. Ao longo da carreira, trabalhou em montagens de repertório variado, incluindo textos de autores brasileiros e estrangeiros, em espetáculos associados à cena de Porto Alegre e a companhias e encenadores do Rio Grande do Sul. A Maldição do Vale Negro, texto de Caio Fernando Abreu e Luiz Arthur Nunes, encenado por Luiz Arthur Nunes para o Teatro Vivo em 1986, foi um dos seus trabalhos de maior destaque. Na montagem, Ida Celina interpretou a condessa Úrsula de Belmont. A atuação valeu-lhe, juntamente com Mirna Spritzer, o Prêmio Açorianos de melhor atriz coadjuvante em 1986. Em 1996, estreou o monólogo Maldito Coração, Me Alegra que Tu Sofras, de Vera Karam, com direção de Mauro Soares. O espetáculo tornou-se um dos trabalhos mais duradouros da sua carreira. Em 2014, quando foi apresentado na I Mostra de Artes Cênicas e Música do Teatro Glênio Peres, da Câmara Municipal de Porto Alegre, a peça completava 18 anos de trajetória e mais de 150 apresentações; segundo a divulgação institucional da Câmara, havia recebido prêmios em categorias como espetáculo, texto original, trilha sonora e figurino, e Ida Celina fora várias vezes distinguida como melhor atriz. A longevidade de Maldito Coração, Me Alegra que Tu Sofras também foi assinalada fora do Rio Grande do Sul. Em 2015, o espetáculo integrou o festival Janeiro de Grandes Espetáculos, no Recife, onde foi apresentado no Teatro Marco Camarotti. Em crítica publicada no Teatrojornal, Mateus Araújo destacou a segurança cênica adquirida por Ida Celina ao longo de 19 anos interpretando a mesma personagem, descrevendo-a como uma atriz de interpretação despojada, humor sagaz e emoção contida. Na década de 2010, continuou ativa nos palcos. Em 2015, integrou o elenco de Língua Mãe.Mameloschn, texto da dramaturga alemã Marianna Salzmann, com direção de Mirah Laline, ao lado de Mirna Spritzer, Philipe Philippsen e Valquíria Cardoso. A montagem venceu o Prêmio Açorianos de Teatro de 2015 na categoria de melhor espetáculo, tendo regressado em 2016 em curta temporada no Porto Verão Alegre.

Cinema e televisão Embora identificada sobretudo com o teatro, Ida Celina também trabalhou no audiovisual. Após uma longa carreira teatral, o cinema e a televisão passaram a integrar de forma mais visível a sua trajetória; em 2012, participou numa temporada de Malhação, da TV Globo. Entre os seus trabalhos no cinema estão participações em produções como Quase um Tango..., Disforia, Depois de Ser Cinza, Despedida e Um Dia Cinco Estrelas.

Docência e influência Além da atividade como atriz, Ida Celina desenvolveu trabalho como professora de teatro, associada ao Departamento de Arte Dramática da UFRGS, onde participou da formação de várias gerações de artistas ligados à cena teatral de Porto Alegre. Em 2012, foi tema do terceiro volume da coleção Gaúchos em Cena, intitulado Ida Celina: História(s) em Mim, organizado por Fernando Zugno e publicado pela Prefeitura de Porto Alegre.

Prêmios e homenagens Em 1978, recebeu o Prêmio Açorianos de melhor atriz. Em 1986, foi distinguida, ao lado de Mirna Spritzer, com o Prêmio Açorianos de melhor atriz coadjuvante por A Maldição do Vale Negro. Em 2019, durante a cerimônia dos Prêmios Açorianos de Teatro, Tibicuera de Teatro Infantil e Revelação, recebeu homenagem pelos seus 50 anos de dedicação ao teatro. A homenagem integrou a cerimônia promovida pela Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre no Teatro Renascença. No mesmo ano, foi anunciada entre as personalidades homenageadas com a Medalha da Cidade de Porto Alegre.

Obras selecionadas

Teatro A Maldição do Vale Negro — Condessa Úrsula de Belmont, 1986 Maldito Coração, Me Alegra que Tu Sofras — monólogo, texto de Vera Karam, direção de Mauro Soares, estreado em 1996 Língua Mãe.Mameloschn — texto de Marianna Salzmann, direção de Mirah Laline, 2015

Cinema e televisão Quase um Tango... Malhação, temporada de 2012 Disforia Depois de Ser Cinza Despedida Um Dia Cinco Estrelas

Referências

Ligações externas «Ida Celina na Enciclopédia Itaú Cultural»